O Greenpeace mapeou as plataformas antigas da região do pré-sal
e apresenta seus dados e histórico de acidentes

Mar de dúvidas sobre o pré-sal

07 mar 2014 // Renata Nitta

O leilão do Campo de Libra, na Bacia de Campos, foi o primeiro do pré-sal no Brasil e consolidou apenas um consórcio entre a Petrobras, a anglo-holandesa Shell, a francesa Total e as chinesas CNPC e CNOOC. Muitos comemoram os investimentos que entram no país e que podem ajudar a equilibrar as finanças da estatal Petrobras e, ainda, financiar educação e saúde, por exemplo. No entanto, um olhar mais atento revela que não são apenas bons resultados que renderão deste dinheiro.

A decisão brasileira de explorar as reservas de petróleo do Campo de Libra resultará na emissão de até 5 bilhões de toneladas de CO2, o equivalente a mais de três anos das emissões totais nacionais de gases de efeito estufa.

Considerando os números totais estimados para as reservas do pré-sal – 80 bilhões de barris – a queima de todo o óleo será responsável pela emissão de 35 bilhões de toneladas de CO2 durante um prazo de 40 anos, mantendo o Brasil entre os dez maiores emissores mundiais. Para que o país consiga cumprir suas metas nacionais da Política Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC) e os objetivos de mitigação das mudanças climáticas, o petróleo do pré-sal deveria permanecer intocado.

Além dos riscos climáticos, a plena exploração comercial da região do pré-sal demanda respostas a desafios técnicos e logísticos de extrema complexidade. Este é um questionamento frequente em relação ao pré-sal brasileiro e que ainda não foi respondido uma vez que o país segue sem um Plano Nacional de Contingência, que deve estabelecer as medidas necessárias a serem tomadas em caso de vazamentos. Ainda, o Brasil opera com tecnologia do passado, já que aproximadamente uma a cada três plataformas atualmente em operação no Brasil foram construídas há 30 anos ou mais e representam maior probabilidade de vazamentos.

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Com um potencial abundante de geração renovável como eólica, solar e biomassa, o Brasil perde a chance de inovar e deixa de se posicionar como uma das economias mais sustentáveis e limpas do planeta. O relatório [R]evolução Energética mostra que o país pode reduzir a participação fóssil de sua matriz em 50% até 2050, economizando cerca de R$28,4 bi por ano até lá apenas no setor elétrico.

O campo de Libra é a principal descoberta já feita no Brasil e a maior oferta de um reservatório de petróleo já feita no mundo. O leilão e o modelo de partilha foram planejados para fortalecer a Petrobras, mas desde a descoberta do pré-sal, em 2007, parece que o inverso tem acontecido. A estatal petroleira se endividou ainda mais – um salto de R$49 bi para R$ 176 – e seu valor de mercado despencou 34%.

Além disso, os cofres da Petrobras vem sendo penalizados com o congelamento dos preços da gasolina para controlar a inflação no país. Não só o balanço financeiro de uma das empresas mais importantes do país é prejudicado com os preços fixos da gasolina, como também o setor de biocombustíveis, fundamental para o cumprimento da PNMC. O etanol já teve sua produção impactada nos últimos anos e tem se tornado progressivamente menos competitivo nos postos de abastecimento em relação à gasolina.

“Infelizmente, o governo investe uma enormidade de recursos em uma exploração arriscada do ponto de vista técnico e econômico e altamente danosa para o clima”, afirmou Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. “Estamos hipotecando 70% de todo o nosso investimento na área de energia em um único nicho que, se malograr, prejudicará toda a capacidade produtiva do país, com graves consequências”, continuou Baitelo.

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